O Futuro da minha cidade, no litoral de Santa Catarina

“O FUTURO DA MINHA CIDADE” VOLTA A SANTA CATARINA E CONQUISTA NOVOS APAIXONADOS NO LITORAL

Fonte: CBIC | Enviado por Sandra Bezerra, sex, 16/06/2017 - 16:24

Sociedade organizada dos municípios de Itapema, Bombinhas e Porto Belo, que formam a região Costa Esmeralda, a 60 km do Balneário Camboriú, decide ser protagonista na gestão do futuro da cidade.

O futuro começa com a decisão que nós vamos tomar agora. Essa foi a mensagem transmitida à sociedade organizada de Itapema, Bombinhas e Porto Belo, municípios da região balneária Costa Esmeralda, no litoral de Santa Catarina, que decidiu conhecer as bases do projeto “O Futuro da Minha Cidade”. De iniciativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o projeto chega pela terceira vez ao Estado com o propósito de convidar as lideranças locais ao exercício de imaginar como gostariam de ver a cidade nos próximos 20 anos.

“Precisamos amadurecer enquanto sociedade. Precisamos saber exatamente o que nós queremos enquanto sociedade, enquanto cidadão, porque somos nós que temos o poder de entender onde queremos chegar”, afirmou Silvio Barros, dando o tom do evento na cidade de Itapema, que contou com 208 apaixonados das três cidades.

A proposta, apresentada pelo ex-prefeito de Maringá, Silvio Barros e pela urbanista Laura Sobral, fundadora do Instituto A Cidade Precisa de Você, já foi apresentada em 19 localidades do Brasil estimulando lideranças municipais, poder público, e empresários à união de esforços e a assumir o protagonismo da gestão das suas cidades.

Desenvolvida pela Comissão de Meio Ambiente (CMA/CBIC), com a correalização do Sesi Nacional e patrocínio da Caixa Econômica Federal, a iniciativa busca incentivar a parceria entre a prefeitura municipal e a sociedade organizada, com soluções criativas que promovam a melhoria da qualidade de vida da população.

No evento de sensibilização, realizado na noite da última quinta-feira(08/06), no restaurante Cabral, em Itapema, pelo Sindicato das Indústrias da Construção Civil da Costa Esmeralda (Sinduscon-Costa Esmeralda), com o apoio da Associação Empresarial de Bombinhas (AEMB), da Câmara de Dirigentes Lojistas de Itapema (CDL Itapema), do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (CREA-SC) e das Prefeituras de Bombinhas e de Itapema, o presidente do Sinduscon-Costa Esmeralda, João Formento, destacou que a discussão sobre o futuro da cidade é oportuno e se dá num momento em que precisamos discutir o  futuro do país e que, portanto, “nada melhor começarmos pela nossa casa, pelo nosso quintal”, disse Formento.

Durante o encontro, que reuniu as prefeitas das cidades de Itapema, Nilza Simas; de Bombinhas, Ana Paula da Silva; e do prefeito de Porto Belo, Emerson Luciano Stein; foram realizadas palestras de motivação e de engajamento da arquiteta e urbanista Laura Sobral, fundadora do Instituto A Cidade Precisa de Você, e do ex-prefeito de Maringá e diretor presidente da Solução Consultoria, Silvio Barros.

O espaço público como referência de transformação

Desde 2007 a frente de manifestações espontâneas de intervenções urbanas nos espaços públicos, a arquiteta Laura Sobral fez a sua apresentação com foco na importância dos espaços públicos para a qualidade de vida da população e da sustentabilidade, bem como sua relação com os aspectos econômico, cultural, de segurança pública e de saúde da população. “Espaços públicos de qualidade tem um papel central em cidades prósperas, sendo espaços de encontro, atividades cidadãs, espaços inclusivos, democráticos e diversos”, avalia.

Num diálogo franco e aberto Laura Sobral destacou a interpretação dos problemas das três cidades da Costa Esmeralda, segundo depoimentos de pessoas que lá residem. Chamou atenção dos participantes ao evento de sensibilização sobre como poderiam ser implementadas ações simples, mas de grande impacto transformador nessas localidades, mediante parceria entre a prefeitura local, iniciativa privada e sociedade organizada.

Uma das ações, segundo ela, tem a ver com o urbanismo tático. “São ações de curta duração, baixo custo e microescala, realizadas em grandes cidades a partir do esforço da sociedade civil. Intervenções no espaço público de baixo para cima facilitam a catalização de mudanças a longo prazo, não realizadas somente por urbanistas, mas por locais através do engajamento social”, acrescentou Laura Sobral, ao expor os desafios e as potencialidades de Itapema, Bombinhas e Porto Belo. Apresentou também as dificuldades e preocupações relatados pela comunidade local em questões quanto à mobilidade urbana, acessibilidade e segurança.

Provocação para estimular a mudança

“Pensar o futuro da cidade começa pelo cidadão e planejar se tornou crucial”, diz o vídeo exibido antes da apresentação de Silvio Barros. A fórmula, segundo ele, é simples: ouvir, planejar, gerenciar e continuar. Para que as transformações aconteçam são necessários mecanismos que precisam ser implementados pela ação da sociedade organizada e dos prefeitos, na visão do ex-prefeito da Cidade de Maringá, Silvio Barros. Ao iniciar a sua apresentação convidou os participantes a um exercício mental de imaginação sobre como imaginam a cidade de Itapema em 2037. “Nós não sabemos como vai ser na realidade, mas se nós planejarmos e convergindo todas os esforços nessa direção teremos uma probabilidade maior de visualizar a cidade que a gente quer. Caso contrário, vão ser reféns do futuro e não protagonistas”, disse Silvio Barros, convidado central do evento para expor a experiência bem sucedida de parceria entre a sociedade organizada e o poder público local de Maringá, no Paraná.

Silvio Barros ressaltou a importância do planejamento de longo prazo como vetor das transformações. “A sociedade civil organizada expressa o seu desejo futuro para o poder público que vai executar a médio e longo prazo. E a sociedade acompanha o processo e faz o planejamento de longo prazo”. Para ele, o setor privado tem o “DNA necessário para isso”, assim como a sociedade organizada.” Reforça que isso é natural para o setor privado e para a sociedade, mas não é natural para o serviço público. “Se o prefeito fizer o planejamento de longo prazo e perder a eleição, o planejamento vai ser colocado na lata do lixo, então, não deve ser feito pelo setor público”, adverte Barros ao apresentar o exemplo inspirador de Maringá.

Ainda na sua apresentação, o urbanista citou reportagem da Revista Exame, publicada na edição de março, que destaca a cidade de Maringá eleita a primeira na lista das 10 melhores cidades do Brasil, segundo estudo elaborado pela consultoria Marcoplan. Segundo Barros, esse reconhecimento deve-se, em grande medida, ao trabalho de parceria da sociedade civil de Maringá que decidiu rever o modelo de desenvolvimento e a fundação do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá, o CODEM, mediante Lei Municipal n° 4275/96.O conselho articulou periodicamente a organização com mais de cem entidades em torno de um plano de futuro comum- Maringá 2020, idealizado em 1997 e Maringá 2030, editado em 2008.

Para que os estudos fossem ampliados, foi contratada pela sociedade organizada, por meio do Conselho, uma empresa de consultoria para traçar os destinos econômico, social e urbanístico de Maringá até o seu aniversário de 100 anos. A ação foi pactuada com a prefeitura, que se comprometeu a utilizar o trabalho financiado pela sociedade nos planos diretores.

Ao final de sua exposição, Silvio Barros frisou o objetivo da proposta do encontro liderado pela CBIC. “Esse é o nosso recado, a nossa proposta. É isso que a gente veio fazer aqui, apresentar uma provocação e compartilhar com vocês uma experiência comprovada que deu certo e com indicadores para demonstrar”, disse, acrescentando ser possível transformar qualquer cidade em “um lugar excepcional, desde que a gente saiba aonde quer ir”.

O evento em Itapema contou com a participação de representantes da Câmara de Vereadores de Itapema, Bombinhas e Porto Belo e membros do secretariado municipal. Participaram também o superintendente do Sesi/SC, Fabrizio Machado Pereira; presidente da Associação Empresarial de Bombinhas(AEMB), Claudio Souza; Miguel do Canto, presidente da Câmara de Dirigentes Logistas de Itapema.

Ao final deste semestre, a iniciativa já terá atingindo as cidades de Aparecida de Goiânia (GO), Belém (PA), Brasília (DF), Cascavel (PR), Caxias do Sul (RS), Chapecó (SC), Goiânia (GO), Itapema (SC), Joinville (SC), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Velho (RO), Santa Maria (RS), São Gonçalo do Amarante (CE), São Luís (MA), Teresina (PI), Uberlândia (MG), Vitória (ES) e Volta Redonda (RJ).

Sociedade da Costa Esmeralda debate “O Futuro da Cidade”

“Essa integração dos três municípios é muito importante, porque muito se fez individualmente, mas não se pensou em conjunto para o bem de todos os nossos municípios da Costa Esmeralda” – Prefeito da cidade de Porto Belo, Emerson Luciano Stein

“A parceria entre os três municípios da Costa Esmeralda tem por objetivo, nesta noite, contagiar a sociedade para que venha participar de uma parceria público- privada, porque eu entendo que este seja o caminho que merecemos e pretendemos deixar para a próxima geração” – Prefeita da cidade de Itapema, Nilza Simas

“Eu acho que a solução que Maringá implantou é a solução para todos nós. Se a gente conseguir empoderar a sociedade civil, formar esses conselhos e fazer reuniões temporárias com todos os nossos municípios, acho que vai dar uma grande coisa” –  Prefeita da cidade de Bombinhas, Ana Paula da Silva.

“O caso de Maringá que o Silvio colocou nos interessa. É um caminho, uma maneira de tentar uma solução para as cidades. Queremos participar financeiramente na melhoria da mobilidade e na iluminação. Esse é o início que nós colocamos aqui através da CBIC. Não queremos que essa ideia acabe aqui” – Presidente do Sinduscon-Costa Esmeralda, João Formento.

“O que a gente quer é que a semente que a gente veio aqui plantar, gostaríamos de vê-la produzindo” – ex-prefeito de Maringá e diretor presidente da Solução Consultoria.

“A gente está acostumado mais em reclamar do que em pensar como a gente pode contribuir para mudar uma certa situação” – Laura Sobral – arquiteta e urbanista.

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