Copa 2014: As despesas da Copa 2014

Custo da Copa equivale a um mês de gastos com educação – 23/05/2014 – Poder – Folha de S.Paulo

GUSTAVO PATU
DIMMI AMORA
FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIA |23/05/2014 | 02h00

Mesmo mais altos hoje do que o previsto inicialmente, os investimentos para a Copa representam parcela diminuta dos orçamentos públicos.

Alvos frequentes das manifestações de rua, os gastos e os empréstimos do governo federal, dos Estados e das prefeituras com a Copa somam R$ 25,8 bilhões, segundo as previsões oficiais.

O valor equivale a, por exemplo, 9% das despesas públicas anuais em educação, de R$ 280 bilhões.

Em outras palavras, é o suficiente para custear aproximadamente um mês de gastos públicos com a área.

A comparação deve ser relativizada porque haverá retorno, no futuro, de financiamentos. O Corinthians, por exemplo, terá de devolver os recursos que custearam o Itaquerão. Além disso, os gastos da Copa começaram a ser feitos há sete anos –concentrados nos últimos três.

Isso não quer dizer que as cifras sejam corriqueiras: num país em que os governos privilegiam a área social e têm pouca sobra para investir, são raros os projetos que mobilizam tantos recursos.

O mundial e as despesas do governo

Fonte: Folhapress: Mario Kanno

O mundial e as despesas do governo

Na lista dos grandes empreendimentos, a Copa custará o triplo do que se planeja gastar na controversa transposição do rio São Francisco, exclusivamente em verbas do Orçamento federal.

Como os números ainda devem ser atualizados, é provável que se aproximem mais dos R$ 30 bilhões da usina de Belo Monte (PA), a maior obra de infraestrutura financiada pelo governo Dilma Rousseff.

No pacote da Copa, as despesas mais questionadas têm sido os R$ 8 bilhões destinados aos estádios. Os gastos restantes são, na maior parte, com projetos de transporte urbano, aeroportos e portos.

Esse conjunto de obras de infraestrutura custará ao menos R$ 4,5 bilhões acima das previsões iniciais, segundo levantamento feito pela Folha.

As variações mais expressivas estão nos aeroportos, cujo valor total estimado chega a R$ 6,2 bilhões, numa expansão de R$ 1,7 bilhão –R$ 900 milhões só em Guarulhos.

No caso dos estádios, o custo total calculado de início era de R$ 5,9 bilhões. De lá para cá, a conta subiu 36%.

O maior exemplo é o Mané Garrincha (Brasília), que foi de R$ 745 milhões para R$ 1,4 bilhão. O Tribunal de Contas (DF) apontou irregularidades, contestadas pelo governo.

Os gastos atuais desconsideram 11 obras retiradas da lista, mas que seguem sendo tocadas com verba do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A retirada ocorreu porque as obras não ficariam prontas a tempo.

Curitiba: Megaevento versus Cidade

A Copa e Curitiba, nem tudo que reluz é ouro

Fonte: Gazeta do Povo | POR OLGA LUCIA CASTREGHINI DE FREITAS FIRKOWSKI* | 18/05/2014 | 00:09 |

Qual é a relação entre um megaevento esportivo, como a Copa do Mundo, e a cidade? Qual é o poder transformador esperado? A que se deve tal expectativa? São perguntas simples, mas de resposta complexa.

Desde a década de 1990 tais relações têm sido festejadas, sobretudo devido às transformações ocorridas em Barcelona para as Olimpíadas de 1992. Um conjunto de obras que alterou a dinâmica urbana colocou Barcelona como ícone das potencialidades transformadoras dos megaeventos.

Aquele período de transformação foi também resultado do grande aporte de recursos vindos da União Europeia de modo a erguer as economias mais atrasadas do bloco na época: Espanha e Portugal. Recursos foram abundantes, obras se realizavam por toda a Península Ibérica de modo a dotá-la de condições materiais que a aproximassem dos vizinhos. Essa situação favorável de Barcelona passou a ser referência positiva para os gestores, que também alteraram sua forma de gerir as cidades. O “empresariamento” passou a ser a forma de conduzir a política urbana.

Parcerias público-privadas se tornaram o objeto de desejo dos gestores para viabilizar as intervenções nas cidades. Intensificou-se o chamado planejamento estratégico, o marketing urbano se destacou. A cidade passou a ser vista como mais uma mercadoria disponível em um mundo globalizado.

E quando, afinal, o tema dos megaeventos esportivos passou a fazer parte de cotidiano brasileiro?

De modo ousado, o Brasil se candidatou a abrigar dois dos maiores megaeventos esportivos, com apenas dois anos de diferença entre eles: a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de Verão em 2016.

Tais megaeventos produzem diferentes efeitos transformadores nas cidades. Enquanto a Copa do Mundo se configura a partir de uma única modalidade esportiva, cuja competição de desenvolve por diferentes cidades-sede, as Olimpíadas abarcam distintas modalidades e as competições estão centralizadas numa única cidade. As Olimpíadas demandam uma infraestrutura mais complexa, diferentes equipamentos esportivos e até alojamentos adequados para os atletas, amadores em sua maioria.

Desde 2008 com as Olimpíadas na China e em 2010 com a realização da Copa do Mundo na África, fortalece-se a tendência de realizar megaeventos em países fora do eixo tradicional Europa-América do Norte e parte da Ásia (Japão, em especial). Inserem-se, de modo cada vez mais contundente, os países do Sul ou do mundo subdesenvolvido (tal denominação está sendo substituída por países emergentes ou países em desenvolvimento). Note-se que a própria denominação de Olimpíadas de Verão, contradiz a estação do ano em que a mesma se realiza no hemisfério sul. Essa mudança de tendência exige novos referenciais de análise, novos olhares sobre quem ganha e quem perde, sobre a participação da sociedade nas decisões, sobre a aplicação de recursos públicos e sobre legados.

Em 2007, o Brasil é escolhido pela Fifa como país anfitrião da Copa de 2014, em seguida vieram os preparativos para a apresentação do plano de ação e das candidaturas das pretensas cidades-sedes. Dentre elas Curitiba, efetivada como sede em 2009.

Na perspectiva dos preparativos, o ano era 2009 e o conjunto de obras propostas era animador, pois se acreditava que desse conjunto resultaria uma grande transformação da cidade. Dentre os projetos anunciados estavam: o metrô, cujo trajeto ligaria Santa Cândida (no extremo norte do município) à CIC (ao sul); a conclusão da Linha Verde, em especial seu trecho norte; a construção da terceira pista do aeroporto Afonso Pena; o anel ferroviário, com vias paralelas ao contorno viário; o corredor metropolitano, obra viária que abrangeria parte dos municípios metropolitanos; o estádio, em estágio adiantado de finalização; a Avenida das Torres e demais vias (Marechal Floriano, Salgado Filho) que proporcionam o acesso ao aeroporto; as vias radiais de acesso a Colombo e Pinhais; a reforma da rodoferroviária; a Avenida Cândido de Abreu, com a implantação de um ônibus expresso como meio de ligação entre o centro e o aeroporto, apenas para citar as principais.

A quantidade de intervenções previstas e sua distribuição pela cidade não deixavam dúvidas sobre o potencial transformador dos preparativos para a Copa. Há que se ressaltar que os projetos não eram novos: faziam parte de um conjunto de obras já pensadas e que pouca relação direta tinham com a Copa. As diversas fontes de recursos públicos disponibilizadas por meio dos PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), tanto o específico para a Copa como o de Mobilidade, seriam os financiadores dos projetos.

O menor problema de Curitiba à época era o estádio, que estava praticamente pronto, resultado de uma ampla reforma que o transformou, em 1999, em um dos mais modernos do país.

Cinco anos se passaram e estamos agora às vésperas do mundial. Que balanço pode ser feito entre a intenção e a ação? O que de fato foi viabilizado e concorreu para transformar a cidade? Qual é, de fato, o legado?

As obras minguaram em número, embora as executadas tenham tido seus orçamentos muito ampliados. Aos poucos foram sendo excluídas da Matriz de Responsabilidades, documento que firma o compromisso com a execução das mesmas entre os vários níveis da esfera pública e privada. Além da exclusão, algumas obras tiveram seu peso alterado no conjunto e de coadjuvantes passaram a protagonistas.

Não havia uma ponte estaiada no projeto, mas diversas trincheiras ou viadutos para transposição da Avenida das Torres. A ponte surgiu com um considerável impacto em termos de custo. Vai virar símbolo? É legado?

O estádio passou da situação de o mais adiantado nacionalmente para o mais atrasado, ainda inacabado a poucos dias da competição. Os padrões impostos pelo Caderno de Encargos da FIFA (de 2004, portanto formulado após a reforma da Arena), revelaram sua inadequação e sua completa reconstrução foi necessária. A que custo? Pago por quem? Uma grande engenharia financeira foi colocada em marcha para viabilizar a finalização: dinheiro público para as desapropriações dos imóveis no entorno imediato, venda de potencial construtivo, intermediação em empréstimos junto ao BNDES, mudança na legislação para favorecer as empresas envolvidas, dentre outros.

A Avenida das Torres teve parcialmente as torres removidas e substituídas por postes, nada parecido com as discussões originais de enterramento das torres e construção de pista exclusiva de expressos para ligar o Centro ao aeroporto. No dia 9 de maio de 2014 é que o edital de licitação do metrô foi finalmente lançado – pouco a se dizer. O mesmo sobre o aeroporto, que, embora tenha tido reformulações nas áreas internas e nos estacionamentos, ainda está distante da conclusão. O projeto previsto para a Avenida Cândido de Abreu foi suspenso. A Linha Verde norte está longe de ser concluída. Nada sobre o anel ferroviário e sobre o corredor metropolitano, sumariamente retirados da Matriz.

Concretamente, como resultado de todo o movimento relacionado à Copa, Curitiba tem: um novo estádio, agora chamado arena (privado), uma ponte (estaiada), uma avenida mais ampla (ligação do aeroporto ao Centro), uma rodoferroviária (mantida num local inadequado para sua função) e algumas obras de menor porte (reforma do Terminal de Santa Cândida, embora também não concluída, calçadas refeitas, sinalização renovada em certos pontos) e, não menos importante para alguns, um sistema de monitoramento do tráfego, que permite – em tempo real – a constatação da imobilidade que vivemos hoje com a exacerbação do modelo individual de transporte.

Perdemos a capacidade de planejar ou de agir, ou ambos?

Se tivemos linhas de financiamento abundantes nesse período, inclusive na contramão do cenário de crise estabelecido mundialmente, temos que perguntar: porque as obras não se viabilizaram? Mudanças na gestão municipal e estadual, dirão alguns, dificuldades de acesso aos recursos dirão outros, teorias conspiratórias por certo serão evocadas por outros.

Não podemos nos desviar de refletir sobre uma questão-chave: há legado quando se trata de recursos públicos como viabilizador das obras ou se trata de alterar prioridades de investimento público? Legado não seria a transferência à sociedade de investimentos feitos por empresas e/ou capitais privados tendo em vista a viabilização do megaevento de seu interesse?

A Copa é efêmera, mas nossa vida na cidade é de longa duração. Obras como o metrô e o corredor metropolitano não deveriam ficar à mercê de eventos passageiros, posto que são obras essenciais.

Faltou dizer que as discussões sobre a dimensão metropolitana de Curitiba não se fizeram presentes nas decisões. Quem sabe agora na revisão do Plano Diretor em ano de Copa (?!) isso aflore de modo mais evidente e responsável. Devemos agendar um compromisso de avaliação para daqui a dois ou três anos, rever planilhas, investimentos, dívidas contraídas.

Por enquanto, que venham os jogos! Não custa lembrar: Irã e Nigéria; Honduras e Equador; Espanha e Austrália; Argélia e Rússia.

Olga Lucia Castreghini de Freitas Firkowski é professora do Departamento e do Programa de Pós Graduação em Geografia da UFPR, coordenadora do Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles. Doutora em Geografia Humana pela USP e Pós Doutorado realizado junto a Universidade de Paris 1 – Panthéon/Sorbonne.

Curitiba: espaços urbanos

Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo / Uma praça para caber no “bolso”, na esquina da São Francisco com a Presidente Faria
Foto: Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo | Uma praça para caber no “bolso”, na esquina da São Francisco com a Presidente Faria

Cidadãos vão à luta por espaços urbanos de Curitiba

Movimentos organizados decidiram, por conta própria, recuperar áreas esquecidas da cidade
Fonte: Gazeta do Povo | 18/05/2014 | Brunno Brugnolo, especial para a Gazeta do Povo

Moradores de Curitiba contrariados com decisões polêmicas ou omissões do poder público estão se organizando em grupos de pressão para recuperar espaços urbanos. Iniciativas como os movimentos Ciclo Iguaçu e “Salvemos o bosque da Casa Gomm” são protagonistas de ocupações conscientes, que procuram dar uma finalidade mais nobre aos espaços de uso coletivo degradados ou prestes a desaparecer. Essas intervenções englobam ainda a preservação do meio ambiente.

A Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (Ciclo Iguaçu) enxergou em um terreno baldio de 130 m2, no centro histórico da capital, a possibilidade de um respiro e de um espaço para convivência. A “Praça de Bolso do Ciclista”, na esquina da Rua São Francisco com a Presidente Faria, começou a sair do papel há nove dias, quando os tapumes foram retirados e deu-se início à terraplanagem no terreno, que é da prefeitura. O município cedeu o local para a criação da praça. O logradouro será erguido com a ajuda de voluntários, evitando assim o longo processo que dependeria de recursos públicos e licitações.

Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo / Aulas de tai chi chuan no bosque: novos usos para o local que foi adotado pela comunidade

Foto: Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo | Aulas de tai chi chuan no bosque: novos usos para o local que foi adotado pela comunidade

No bairro

Mutirão ajudou a limpar as margens do Rio Bacacheri
Iniciativas de mobilização popular também estão fazendo a diferença nos bairros de Curitiba. A Associação Mãos Amigas surgiu em janeiro dentro do conjunto Abaeté, no Boa Vista. Com centenas de pessoas envolvidas, o grupo lançou o projeto “Zeladoras do Planeta”, com ações práticas e de conscientização sobre o cuidado com o meio ambiente. A Praça Anna Maurer Rutz é um dos locais que o movimento faz manutenção permanente.
Lixo
Bem ao lado da praça, passa o Rio Bacacheri, onde sofás e pedaços de carros já foram encontrados. Em abril, um mutirão limpou a margem do rio que servia como depósito de lixo e criou um jardim. Parte dos resíduos encontrados foram reutilizados, como os pneus, que viraram vasos coloridos para as plantas. “Falta comprometimento da população com o lixo, muitos jogam em qualquer lugar. Nosso objetivo é mudar isso e cuidar do espaço ao nosso redor’, diz Raquel Pontes Maciel Romaminiv, colaboradora da associação.

O Batel no centro das discussões

Mobilizações para preservar praças no bairro do Batel têm um histórico recente, um bem sucedido e outro nem tanto. Em 2007, a divisão da Praça Miguel Couto, a Pracinha do Batel, foi parar na Justiça. Na época, o “Movimento Amigos do Batel”, contrário à obra, até tentou, mas não conseguiu impedir a passagem da rua pelo meio da praça. O grupo argumentou que a intervenção era estritamente para atender a interesses comerciais dos empreendedores que iriam construir um shopping na região. A prefeitura, por sua vez, disse que o antigo contorno na praça comprometia a fluidez do trânsito no local.
Discórdia
No ano passado, o motivo da discórdia foi a Praça do Japão, na divisa com o bairro Água Verde. A construção de uma estação-tubo para a passagem do ligeirão Norte-Sul iria comprometer parte da área verde da praça. Como reação, um grupo de moradores e comerciantes realizou um abaixo-assinado com 17 mil assinaturas que resultou em audiências públicas e a suspensão do projeto original.

A ideia é bem parecida com o conceito dos “pocket parks”, previstos no novo plano diretor da cidade de São Paulo e realidade nos Estados Unidos há décadas. Esses espaços são menores que uma praça (por isso Praça de Bolso), usam terrenos baldios e podem ser criados entre construções para servir como área de lazer para quem mora e trabalha no entorno.

Demandas

No último fim de semana, mutirões de trabalho começaram e devem se prolongar até 15 de junho. “Estamos acostumados a fazer as demandas, precisamos participar mais da cidade, do rumo que ela vai tomar”, explica Jorge Brand, coordenador da Ciclo Iguaçu. A administração municipal colabora com parte dos materiais e equipamentos necessários, enquanto as pessoas colocam a mão na massa.

“A intervenção urbana faz parte da cidade. O espaço público de convivência deve ser mais valorizado e é desejável que setores da sociedade se proponham a isso”, diz Carlos Hardt, coordenador da pós-graduação em gestão urbana da PUC-PR. Brand ressalta a importância da construção da praça pelas pessoas, não apenas do ponto de vista da prática cidadã, mas também pela sensação de pertencimento que o processo gera. “A praça já nasce com um cuidado especial, existe um vínculo maior entre as pessoas e a cidade”, define.

Além de ponto de lazer com bancos, paraciclo e espaço para horta e jardinagem, o grupo pretende incentivar atividades educativas e culturais na nova praça. “Quanto mais o espaço é usado, mais seguro ele tende a ser”, explica Hardt. “Queremos que isso seja replicado em outras localidades. Movimentos de Fortaleza e até de Lisboa estão atrás de terrenos procurando dar mais respiro aos centros de suas cidades”, conclui Brand.

Unidos pelo bosque da Casa Gomm

Outro grupo que atua na preservação urbanística é “Salvemos o bosque da Casa Gomm”. O coletivo surgiu no meio do ano passado, quando obras de mobilidade para minimizar o impacto da construção do shopping Pátio Batel quase dividiram ao meio a área restante. Uma liminar da Justiça garantiu a não abertura da Rua Hermes Fontes e o novo traçado acabou contornando o local. A Casa Gomm, tombada pelo Conselho Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico (Cepha), foi transferida justamente para essa área não desmatada no fundo do terreno. A criação de uma via no local, no entanto, não está descartada e ainda dá calafrios no grupo.

Desde então, todos os sábados pessoas se reúnem no local e realizam atividades que vão da leitura ao cultivo de uma horta comunitária. “Descobri na internet, me identifiquei com a causa e também queria contribuir”, conta Elli Nowatzki, moradora do Boqueirão, que desde fevereiro dá aulas gratuitas de tai chi chuan no bosque. “O local é maravilhoso, central, não pode sofrer mais”, diz Samuel Lago, morador do Mossunguê e que integra o movimento.

O grupo não quer mais intervenções na região e defende a criação de um parque para que a área fique protegida e seja um espaço de bem-estar para a população. O momento é bom para que a ideia do “shopping center da cidadania a céu aberto”, como eles dizem, vire realidade. O diálogo com o poder público já foi ruim, mas hoje está em curso. “Estamos fazendo reuniões com eles [população] e temos o interesse coincidente na concepção do parque. Também há o plano de fazer uma trilha ecológica para conscientização das áreas verdes no meio urbano”, afirma o secretário municipal do Meio Ambiente, Renato Lima.

O movimento popular já tem planos para o local, caso se torne um parque. Entre eles, fazer ressurgir o rio canalizado, retirar as grades da casa e criar uma galeria de esculturas de João Turin. “Nós oferecemos a licença para que as esculturas e os baixos-relevos sejam reproduzidos, faltaria apenas o financiamento das réplicas”, diz Samuel Lago, que faz parte da família que detém os direitos legais do acervo do artista paranaense.

Um exemplo de parceria que deu certo

O projeto da Praça de Bolso do Ciclista foi elaborado por arquitetos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) em parceria com a Ciclo Iguaçu. Já a terraplanagem ficou a cargo da Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP), devido à necessidade de maquinário e operador. A construção será em regime de mutirão dos voluntários e está dividida em quatro etapas: pavimentação, revestimento, mobiliário e paisagismo.

Para quem deseja colaborar com a praça, o coletivo vai oferecer algumas oficinas, como a de bioconstrução (construção com terra), mosaicos (que vão revestir parte do local), petit-pavet (parte do pavimento) além de jardinagem e horta que farão parte do paisagismo.

Os interessados em participar da construção da praça podem se inscrever em http://bit.ly/participedapraca ou simplesmente aparecer na esquina da São Francisco com a Presidente Faria nos próximos fins de semana até a conclusão da obra.